quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Até ao fim dos tempos

            Era uma sexta-feira aparentemente normal, as crianças andavam animadas, pois era o ultimo dia da semana de aulas, estavam todos ansiosos pelo soar da campainha, para apressadamente se dirigirem aos pais, como se estes estivessem estado fora durante um ano.
            O famoso toque entoa pelos corredores da pequena primária, e a euforia instala-se entre sons de gargalhadas, gritos de felicidade, cadeiras a arrastar, tentativas fracassadas de fechar a mochila atulhada de livros com montes de trabalhos para um curto fim-de-semana. A menina, desceu as escadas sem pressa, sabia que lá fora não tinha o pai, nem a mãe para a virem buscar, eles estavam a trabalhar, e a avó estava doente, por isso ia ter de ir para casa sozinha, não que tivesse medo, mas às vezes sabia bem sentir o abraço quente da mamã, ou um beijo em que sentia a barba fofa do papá depois de um dia chato de aulas, mas tinha de aguentar até chegar à hora de jantar. O que ela não sabia é que esse dia, ia mudar a sua vida para sempre.
             A menina saiu da escola e atravessou a passadeira, sem ver que se aproximava um carro a toda a velocidade. Entre o chiar dos pneus que travavam a fundo, uma buzina que tardou em chegar, os gritos das auxiliares e professoras em tom de alerta, a menina olhou para o carro e levou com ele, sendo atirada pelo ar uns 5 metros e embatendo a toda força no chão.
            Todos correram em seu auxílio, e ninguém se lembrou do carro, que após o sucedido se pôs em fuga.
            Entre toda aquela confusão, um médico que ia levar os filhos à escola, parou para ver o sucedido e ao ver a menina estendida do chão ordenou que todos se afastassem. Não tocou muito na menina, apenas verificou se a menina respirava e se tinha pulsação.
            - William, liga para o 112, põe o telemóvel em alta-voz e anda para aqui! - exclamou o médico para o filho mais novo, iniciando manobras de reanimação.
            Após três toques uma voz feminina atendeu.
            - 112, qual é a sua emergência?
            - Daqui fala Dr.Vieira encontro-me na rua da escola primaria da Fonte Seca e tenho aqui uma menina de aproximadamente 7 anos que foi atropelada que entrou em paragem cardiorespiratória, acabei de iniciar o suporte básico de vida, mas preciso com urgência de uma VMER.
            - Ok, vamos já enviar uma unidade de INEM para aí.
            A equipa de emergência chegou em poucos minutos, e tentaram reanimar a menina no local com sucesso, levando-a para o hospital.
            Esteve lá durante 20 dias...