Deitei a cabeça na almofada, aconcheguei os cobertores, a noite era fria, mais fria que o costume. Sem que me apercebe-se, as lágrimas começaram a cair, quentes, suaves e transparentes. Não sei bem porque o fiz, mas deve ter sido pelo aperto no coração, uma coisa pequenina, mas que consegue causar um desconforto enorme. Abracei a almofada com força, pois sentia-me sozinha, mesmo tendo a minha irmã a dormir ao meu lado. Não queria estar assim, aliás, eu quase nunca choro, mas a sensação era tão desconfortável, que não consegui evitar. Acho que isto foi o acumular de sentimentos e situações, que já não cabiam no copo cheio de águas passadas, que embora vivam no passado, insistem em mover o moinho do presente. Tenho medo, é muita coisa para pensar ao mesmo tempo, e não me sinto preparada para enfrentar isso agora. Sinto-me insegura, desprotegida e frágil, como um espelho que pode partir-se com uma simples queda. Não me sinto capaz de lutar nesta batalha, não para já. Preciso de aclarar as ideias, mudar de estratégia, para que no fim de toda esta guerra que se apoderou de mim, eu saia vitoriosa...
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